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DISCO DA DÉCADA · 2000À PROCURADA BATIDAPERFEITAMARCELO D22003
Anos 2000

À Procura da Batida Perfeita

Marcelo D2 · 2003 · Sony Music (selo Chaos)

Faixas de destaque:

  • À Procura da Batida Perfeita
  • A Maldição do Samba
  • Loadeando
  • Qual é?
  • C.B. Sangue Bom
Votar nos anos 2000

À Procura da Batida Perfeita é o segundo disco solo de Marcelo D2 e o lugar onde o rap carioca assumiu de vez que o samba era o seu chão. Saiu em maio de 2003, tem 11 faixas e pouco mais de 33 minutos. É um disco curto, direto e cheio de pistas sobre o que D2 queria ouvir: toca-discos, percussão de roda e violão no mesmo plano.

Contexto e gravação

D2 vinha de dois lugares. Era o vocalista do Planet Hemp, banda que estava parada naquele momento, e tinha lançado em 1998 o primeiro trabalho solo. Segundo a Wikipedia em inglês, o disco de 2003 veio depois dessa estreia e depois da volta do artista ao Rio de Janeiro, com a participação da chamada Hemp Family, grupo de pioneiros do rap carioca. Em maio de 2003, o Jornal de Brasília descrevia o trabalho como o “segundo vôo solo” do cantor e dizia que o objetivo era misturar rap e samba.

A produção ficou com David Corcos, Mario Caldato Jr. e o próprio D2, de acordo com a Wikipédia em português. Caldato é lembrado na imprensa como o produtor que trabalhou com os Beastie Boys, e a Rolling Stone Brasil o cita como produtor do álbum. Segundo a Wikipédia, as gravações aconteceram entre 2002 e 2003. As fontes consultadas não informam o estúdio nem a cidade, e por isso esta página não aponta nenhum.

O disco saiu em 5 de maio de 2003 pela Sony Music, por meio do selo Chaos. O título é uma tradução de uma música de 1986 do pioneiro do hip hop Afrika Bambaataa, como registram a Wikipédia e a Rolling Stone Brasil. A homenagem diz muito sobre o projeto: D2 pegava uma referência da cultura de rua americana e a levava para o terreno do samba.

Quem tocou e quem participou

A lista de convidados é enxuta. A Wikipédia cita Stephan, filho de D2, em “Loadeando”, e will.i.am, do Black Eyed Peas, em “C.B. Sangue Bom”. A Rolling Stone Brasil acrescenta Ivan “Mamão”, do Azymuth, na bateria, e Seu Jorge nos vocais de “A Maldição do Samba”.

Samples

Boa parte do som vem de gravações antigas. A Rolling Stone Brasil lista samples de João Nogueira, Luiz Bonfá, Paulinho da Viola, Antônio Carlos & Jocafi e Marku Ribas. Segundo a revista, as batidas dividem espaço com batucada e acordes de violão, uma combinação pouco explorada no rap brasileiro da época. A estética, diz o texto, remete às rodas de samba do Rio.

Faixas de destaque

À Procura da Batida Perfeita

A faixa-título é a segunda do disco, logo depois de uma vinheta de cinco segundos, “Pra Posteridade”. O Jornal de Brasília a chamou, em 2003, de “música-síntese do álbum” e contou que D2 usa toca-discos e percussão nela. A matéria também liga o projeto ao desejo de voltar às raízes e de homenagear os sambistas Candeia e Cartola. Segundo a Wikipédia, ela ganhou videoclipe. Em 2003, também chegou ao primeiro lugar da parada de execução Brasil Hot 100 Airplay, conforme a Wikipedia em inglês.

A Maldição do Samba

É a quarta faixa e tem quase quatro minutos, a mais longa do disco. A Wikipédia informa que D2 a assina com Zé Gonzales, e a Rolling Stone Brasil aponta a voz de Seu Jorge nela. A presença dele reforça o plano do disco: samba cantado por uma voz de fora do rap, dentro de uma base de rap. A música também teve videoclipe.

Loadeando

Nesta faixa canta Stephan, filho de D2, e ela tem coautoria de Marechal de Souza, segundo a Wikipédia. A Rolling Stone Brasil a cita entre os hits do disco, ao lado de “Qual É”. Teve videoclipe. A participação do filho dá ao álbum um tom caseiro, de família, que combina com a ideia de roda e de grupo.

Qual é?

É a faixa que fecha a edição brasileira. A Wikipedia em inglês conta que ela chegou ao primeiro lugar no Brasil Hot 100 Airplay em 2003 e que apareceu na série de TV Cidade dos Homens. A Rolling Stone Brasil lembra que a instalação sobre o disco, montada em 2024, exibe um making of do clipe dela. Rádio e TV foram, portanto, dois caminhos pelos quais a faixa chegou ao público.

C.B. Sangue Bom

Com 2 minutos e 42 segundos, é uma das faixas mais curtas do disco e traz will.i.am. A parceria com um nome do hip hop americano mostra que o disco olhava para fora sem abrir mão do samba. Depois, quando o álbum saiu no exterior, a Wikipédia registra uma versão com faixas extras e o título em inglês Looking For The Perfect Beat.

Recepção da crítica

A recepção foi forte desde o lançamento. A Wikipédia reúne resenhas da época: o Omelete deu cinco estrelas, a Folha de S.Paulo deu nota máxima em texto de Pedro Alexandre Sanches, o Correio Braziliense deu quatro de cinco e elogiou a originalidade do projeto, e o Jornal do Brasil publicou crítica positiva de Tárik de Souza. O Tribuna da Imprensa foi a voz dissonante, com duas de quatro estrelas, criticando as letras e elogiando os músicos. O AllMusic, ao avaliar a edição internacional, deu quatro de cinco estrelas.

O disco também colecionou prêmios. Segundo a Wikipédia, a Associação Paulista de Críticos de Arte o escolheu como melhor disco de 2003. Em 2004, ganhou o Prêmio Multishow de Música Brasileira na categoria melhor CD e o Prêmio da Música Brasileira na categoria melhor álbum de pop/rock. Em 2003, havia sido indicado ao Prêmio Hutúz como álbum do ano.

Vendas

A Wikipédia informa que o álbum vendeu mais de 150 mil cópias e recebeu certificação de ouro da Pro-Música Brasil. A própria página é inconsistente quanto ao ano da certificação, entre 2004 e 2005, então esta página não crava um.

Listas

Com o passar dos anos, o álbum continuou nas listas. Segundo a Wikipédia, a Folha de S.Paulo o incluiu em 2010 entre os 50 discos que formaram a identidade musical brasileira nos anos 2000. O site Scream & Yell o colocou em 20º lugar no seu Top 20 Nacional da década, em 2009. Numa votação de 162 especialistas do projeto Discoteca Básica, ficou em 85º lugar entre os 500 maiores discos da música brasileira, e é o único de D2 na relação. Em 2022, uma enquete do jornal O Globo com 25 especialistas o apontou entre os melhores álbuns brasileiros dos 40 anos anteriores.

Legado

O primeiro efeito do disco foi dentro da carreira de D2. A Wikipedia em inglês conta que o sucesso levou a uma apresentação no Acústico MTV e a uma turnê de dois anos. A apresentação deu origem ao álbum ao vivo Acústico MTV: Marcelo D2, de 2004. Depois veio Meu Samba é Assim, em 2006. Ou seja, o samba que aparece aqui como aposta virou a linha principal do trabalho dele.

O disco também ganhou vida longa em outros formatos. Em 25 de abril de 2005, saiu uma edição em DVD, com os videoclipes até então, um documentário curto sobre a produção e um esquete. Em junho de 2005, a gravadora britânica Mr Bongo lançou o álbum na Europa, e em abril de 2006 nos Estados Unidos. A Wikipédia lista ainda lançamentos em Hong Kong e no Vietnã. Segundo a Rolling Stone Brasil, a obra levou D2 ao Montreux Jazz Festival, na Suíça.

Streaming, instalação e vinil

Só em 16 de agosto de 2024 o disco chegou às plataformas de streaming, em parceria com a Sony Music Brasil, segundo a Rolling Stone Brasil. No mesmo mês, uma instalação gratuita com o nome do álbum abriu na Ocupação IBORU, no Centro Histórico do Rio de Janeiro. A mostra reuniu um mural com a capa, a reprodução do estúdio de D2 e fotos inéditas, e teve visitas guiadas nas quais o artista falou sobre os samples e o processo criativo. Em janeiro de 2025, a Wikipédia registra uma edição em vinil verde translúcido, pelo Noize Record Club.

O que o disco ainda diz

O que sobrou do álbum é uma ideia de método. D2 foi buscar nos sambistas antigos a matéria-prima e tratou esse material com ferramentas do hip hop: sample, loop e toca-discos. Em vez de pedir licença ao samba, entrou na roda com o que sabia fazer. Para quem ouve hoje, o disco funciona como um mapa curto de referências, de Paulinho da Viola a Afrika Bambaataa, e como argumento forte para a votação desta década: poucos discos de 2003 reuniram, ao mesmo tempo, crítica favorável, execução em rádio, prêmios e um desdobramento que moldou a carreira do artista.