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Banda indie e fim da gravadora

Anos 2000

Cinco candidatos a melhor álbum brasileiro da década. Leia, ouça e vote.

Vote: melhor álbum dos anos 2000

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Escolha o melhor álbum dos anos 2000

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Os anos 2000 foram a década em que a música brasileira passou a conviver com o CD de luxo, o DVD, a novela como vitrine e, perto do fim, o streaming. Nenhum desses fatores decide sozinho qual disco é o melhor, mas todos aparecem na história dos cinco candidatos.

Gravadoras em transição

O caso mais claro é o de Bloco do Eu Sozinho. Em 2001, a Abril Music recusou a primeira versão do disco dos Los Hermanos, alegando falta de potencial de sucesso e produção amadora, segundo a Wikipedia em inglês. O álbum vendeu abaixo do esperado e só ganhou força com o disco seguinte, Ventura, em 2003. Em contraste, o trio Tribalistas lançou o disco em 2002 por um selo da própria Marisa Monte, a Phonomotor, com distribuição da EMI. O álbum ficou 23 semanas em primeiro lugar e foi certificado como diamante, segundo a Wikipédia.

Samba e rock em conversa

Uma marca da década é a mistura. O rap carioca do final dos anos 1990, que a Rolling Stone Brasil descreve como em “era de ouro”, foi buscar o samba em À Procura da Batida Perfeita, de 2003, conforme a revista. Los Hermanos botaram tuba, banjo e quarteto de cordas num disco de banda de rock. Seu Jorge gravou samba e violão com um olhar de fora, e a crítica americana comparou sua voz à de Tom Waits e à de Tricky. Caetano Veloso, por sua vez, abandonou a fase orquestral e entrou numa fase “roqueira”, com um trio de jovens músicos, como conta a Elle Brasil.

Brasil lá fora

O período também foi de exportação. O disco Cru saiu primeiro na França e depois pela Wrasse nos Estados Unidos, onde chegou ao 3º lugar na Billboard World Albums, em 2005. Tribalistas foi lançado em mais de 40 países e liderou as vendas em Portugal em 2003, segundo a Wikipédia. Seu Jorge também ganhou audiência mundial em Cidade de Deus e em A Vida Marinha com Steve Zissou, como lembra a PopMatters.

Cultura de lista

Em 2007, a Rolling Stone Brasil reuniu 60 pesquisadores, produtores e jornalistas para votar nos 100 maiores discos brasileiros. Dos cinco candidatos desta página, só Bloco do Eu Sozinho entrou, em 42º lugar. Em 2010, a Folha de S.Paulo colocou Tribalistas em 10º lugar entre os 50 discos que definiram a música brasileira da década. Esses números mostram que a crítica e o público nem sempre olharam para os mesmos álbuns.

Por que estes cinco

Bloco do Eu Sozinho (Los Hermanos, 2001). Disputa porque cresceu depois do lançamento e é o único dos cinco na lista da Rolling Stone Brasil de 2007. Foi também uma aposta artística contra a pressão da gravadora.

Tribalistas (Tribalistas, 2002). Entra pela soma rara de prêmios, vendas e presença em novela, com divulgação mínima, e pelo reconhecimento de críticos e de listas.

À Procura da Batida Perfeita (Marcelo D2, 2003). Disputa por ter posto o samba no centro do rap brasileiro, com produção de Mario Caldato Jr., samples de mestres do samba e uma participação de will.i.am. Foi premiado pela crítica paulista e teve duas músicas no topo das rádios.

Cru (Seu Jorge, 2004). Disputa pela voz e pelo enxugamento: samba, violão e covers de Gainsbourg e Elvis num disco que viajou mais pelo exterior do que pelo Brasil.

Cê (Caetano Veloso, 2006). Disputa pela guinada de um nome consagrado para um trio de rock, com 75 pontos no Metacritic e um Grammy Latino.